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Fala, Thadeu! (Jornal Gente & Empresa)


Temas: Flanelinhas e Finanças.

 

 

POSSO DAR UMA OLHADINHA?

 

Quem tem carro entende bem essa expressão. Está cada vez mais insuportável “não” deixar o carro na garagem. Antigamente o horário dos “tomadores de conta de carro” (nova profissão no Brasil) começava depois da vinte horas, ou então, em muitas vezes, esses só apareciam quando você estava indo embora, bem no fim da noite, e com a maior cara de pau ainda perguntando, sem interrogação no final, em tom de afirmação intimatória: “doutor, tava de olho, vai deixar um leitinho pras crianças”. Aliás, pra “tomador de conta de carro”, todo mundo é doutor. Se bem que, às vezes, eles se lembram que somos todos filhos de Deus, católicos, evangélicos, espíritas etc , e nos tratam por: “e aí, meu irmão?”. Hoje o negócio cresceu e é “tomador de conta de carro” o dia inteiro e em todo lugar. Se você parar em frente a uma padaria pra comprar quatro pãezinhos pense bem se terá dinheiro extra pra pagar o cidadão que está de olho no seu carro, nesses segundos, parado bem na sua frente, às suas vistas, pois, se não tiver, compre apenas um pãozinho e guarde o dinheiro com o qual compraria os outros três pra dar pra “ele”. Posso dar uma olhadinha? A vontade é responder tanta coisa: “ vai olhar a...” ou “olha à vontade, olhar não arranca pedaço” – mas aí vem o medo do olhar arranhar seu carro e, pronto, lá se vão algumas moedinhas embora. Corrigindo a tempo, lá se vai uma grana embora, pois, foi-se o tempo em que esses profissionais se contentavam com moedinhas. Inclusive, preço pra mulher geralmente é mais caro que pra homem. É que eles aproveitam da fragilidade feminina e se impõem pelo medo que elas sentem que não é nem pelo fato de ter o carro roubado, mas por coisas piores, pois ninguém sabe o “currículo” do profissional da área. Geralmente trabalham em áreas escur5as, isoladas, com forte teor alcoólico e drogas mais. Hoje, você paga estacionamento, seguro particular, IPVA, seguro obrigatório, põe tranca, alarme e... não adianta, virou obrigatório sair com grana extra pra pagar “tomador de conta de carro”. Se bem que não é nenhum absurdo sair com grana extra para despesas com necessidades especiais e “in- esperadas”, se pensarmos que somos obrigados a tê-lo em espécie, não vale cartão, pra dar pra ladrão em caso de assalto, pois se não tivermos nada, estamos arriscados a levar um tiro. Voltando onde o carro foi estacionado, alguém já parou pra pensar se, por acaso, chegar nesse local e ele, seu carrinho querido, comprado pra ser pago em sessenta prestações das quais somente cinco foram pagas, não estiver lá? Quais são os seus direitos perante o “tomador de conta de carro”? Você receberá dele outro carro? Terá seu dinheiro de volta? Espere: não, não é o dinheiro do carro total, mas, o que pa-gou? Espere, de novo! Não é o que você já pa-gou referente às cinco prestações, mas o que você pa-gou a ele, sim, ao “tomador de conta de carro”. Pagou sim, pois atualmente, exigem pagamento adiantado. Reclamar com quem? A polícia diz que não pode fazer nada, que não tem recursos e material disponível para o combate ao crime organizado e o máximo que podem fazer é orientar aos cidadãos de bem que resistam, que não paguem nada a esses indivíduos pois eles estão fora da lei. Os políticos, senhores vereadores, quando não têm mais nada pra fazer, além de distribuir diplomas de “honra ao mérito”, “cidadão honorário”, placas com nomes de ruas etc, tentam fazer o que a função exige, mas que nunca fazem, criar leis municipais, ou seja, criar “alguma coisa” pra legalizar esses indivíduos e assim podermos pagar o que deveria ser “incobrável”, dentro da lei. A pressão é muita pois os próprios “tomadores” não querem ser legalizados, pois, com certeza, estarão sujeitos a impostos, a receber salário mínimo e a cumprir horário. E os vereadores dizem que... bem, são famílias que dependem desse trabalho e, claro, são votos. Melhor não polemizar! Manda pro arquivo.                                

Enfim... esperem um minuto, o alarme do meu carro disparou! Parece que tem alguém tentando entrar aqui em casa, pela garagem. Esperem que eu já volto. Vou ver o que é. Parece que é um ladrão tentando roubar o meu carro. Por favor, não saiam da frente dessas palavras! Não me deixem sozinho! Talvez se eu gritar ele se assuste e foge:  –  Ei, ladrão, eu vou chamar a polícia! – Chama não, doutor, sou ladrão não. Só queria saber se “posso dar uma olhadinha?“.

 


Dinheiro de mão em mão rende mais


Amigos, leitores! Vejam que caso interessante. Vejam como, se o dinheiro girasse, o mundo seria melhor. Todos nós teríamos as contas pagas e ninguém tomaria prejuízo. Vejam: Um Senhor chegou a uma pequena cidade do interior e se dirigiu ao hotel. Lá chegando, perguntou ao Gerente quanto era a diária. Este prontamente respondeu que o valor era CEM REAIS. O Senhor pegou a carteira e dela tirou uma nota de CEM REAIS e colocou em cima do balcão. Mas, antes de fechar o negócio pediu pra ver o quarto. O Gerente chamou o Porteiro e pediu que este mostrasse o quarto ao Senhor. A nota de CEM REAIS ficou ali, no balcão. O Gerente, certo que o Senhor alugaria o quarto após a vistoria, imediatamente pegou essa nota de CEM REAIS e correu até o açougue e pagou CEM REAIS que devia pela carne servida no hotel. O Açougueiro todo feliz, correu com essa nota de CEM REAIS e pagou ao Fornecedor da carne que ele vende no açougue. O Fornecedor de carne pegou essa nota de CEM REAIS e foi pagar o Veterinário que lhe fornece remédios e trata de seus bois. O Veterinário, bem, o Veterinário devia à Prostituta da cidade. Negócios são negócios! Foi lá e pagou CEM REAIS pra moça. A Prostituta, por sua vez, honesta também, foi ao “hotel” pagar uma dívida de CEM REAIS pelo aluguel de quartos para clientes que estava atrasado. O Gerente recebeu feliz e colocou a nota de CEM REAIS em cima do balcão. Nesse instante, o Senhor que foi conhecer o quarto, voltou à portaria do hotel dizendo que agradecia muito a atenção, mas, não havia gostado do quarto. Pegou a nota de CEM REAIS e foi embora. RESUMINDO: Todo mundo se deu bem! 

 

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