Literatura

Crônicas

 

 

Fala, Thadeu! (Jornal Gente & Empresa)


Tema: Se a gente xingasse por tudo o que está errado, como xingamos juiz de futebol, o mundo seria outro?

 

 

FILHO DA @$#%*&!!!!!

 

“Filho da p..., chifrudo, safado, sem- vergonha, ladrão...” e por aí vai. Caros, leitores, não fiquem assustados! Eu explico: esses sãos “apenas” os primeiros palavrões e referem- se “apenas” à RECEPÇÃO calorosa ao árbitro e seus auxiliares em campo. Fui com dois sobrinhos ao estádio Mário Helênio, em Juiz de Fora, para assistir um jogo da série D: Tupi X Anapolina. Pouquíssima torcida! Uma pena. Muitas crianças com pais. Era pra ser legal, mas devido às circunstâncias, outra pena. Continuemos a “peleja”: é dada a saída... os minutos se passam e o juiz marca pênalti contra o Tupi. TAMPEM OS OUVIDOS! Afinal vem aí uma série coletiva de “Filho da p..., cara..., via... etc”. Muito mais, claro! Só não quero repeti-los aqui. Sinceramente, até gostaria, pra que vocês sentissem na pele, quero dizer, nos ouvidos, a intensidade dos adjetivos. Anapolina 1x0 Tupi. Cada vez que o Tupi errava, a coisa piorava. Fiquei com pena dos profissionais em campo. Nem se quisessem acertariam as jogadas. O medo de errar faz com que as pessoas se intimidem. A crítica em forma de palavrão e xingamentos destrói qualquer jogador e o deixa sem coragem pra tentar algo diferente. Aliás, destrói qualquer profissional, ou não profissional, destrói o ser humano. Continuando: Mais acima de mim, na arquibancada, alguns sujeitos que pareciam ter um auto-falante na boca e, aos berros, talvez para alcançar o campo, gritavam palavrões contra os jogadores. Mas, foi contra um, em especial, o que me fez até sair do lugar: “Seu mer... Filho da p..! Via..! Desgraçado ...*#¨%#@!” Chega! O jogador é substituído e a torcida vai ao delírio e, claro, xingando muito. Não quero ser puritano, bonzinho, moralista, mas, por favor, não me venham com essa que xingar em campo faz parte do cultura do futebol! Não queiram me convencer que é saudável o menino de seis anos ficar gritando, ou melhor, repetindo, as asneiras de adultos e, pior, dos próprios pais. Imagino que essas pessoas que xingam são profissionais de alguma área e com certeza não gostariam de ter em seu local de trabalho grupos de pessoas gritando palavrões contra eles. Exemplo: Fila de banco! Já imaginaram se após trinta minutos na fila, começassem: “Caixa de mer..., molenga filho da p..., gerente safado, ladrão...”. Hein? Imaginem em um tribunal pessoas xingando: “juiz filho da p...”. E no trânsito? Motoristas de ônibus, tensos, sem ter como acelerar e os passageiros lá...: “motorista filho da p..., trocador via... trânsito de mer...!”. Pior, e se xingassem a sua mãe, que nem presente está? Mãe, pessoa que não deveria ser ofendida por nada e nem ninguém. Ainda mais se não for a sua, mas de outro alguém. Nem mesmo se ela for, literalmente, uma puta. Devemos ficar “putos” sim, com a violência urbana, com a pobreza, com a fome, com a roubalheira aos cofres públicos, com a corrupção... causada por pessoas que em tantas vezes, em vez de as xingarmos, merecidamente, ainda as chamamos de “DOUTORES!”. Ah! Tupi 3X1 Anapolina! Placar final. Juiz muito xingado! Por eles!

 

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