Literatura

Crônicas

 

 

Fala, Thadeu! (Jornal Gente & Empresa)


Tema: Faça na vida o que não fará na morte.

 

 

O QUE VAI SER QUANDO MORRER?

 

Meus amigos! Quantos dos meus estarão no meu velório quando eu me for, quando eu desencarnar, quando eu partir, quando eu for pra terra dos pés juntos, pra debaixo da terra, enfim... quando eu morrer? Espero não morrer em feriado prolongado, carnaval, natal, réveillon etc. Conheço umas pessoas que “perderam” o tio na véspera de natal e para não atrapalhar as festividades, congelaram o defunto e só no ano seguinte o enterraram, ou melhor, o cremaram. Outros dois conhecidos passaram um dia inteiro viajando com um amigo morto, preso no banco de carona pelo cinto de segurança, pois foram passar o fim de semana na praia e não queriam retardar a viagem e perder o último dia lindo regado a cerveja gelada, camarãozinho e belas mulheres, ou seja: não queriam perder mais alguns momentos de “vida”. Tá morto mesmo! Só não contavam que numa parada na estrada para um cafezinho, o carro onde estava o defunto seria roubado e... fico imaginando o ladrão chegando e gritando com a arma em punho: - Fica quietinho aí, senão morre! E a cara dos amigos quando chegaram no carro e... nada! Será que o defunto ressuscitou e por um reflexo qualquer saiu dirigindo o carro à procura dos amigos, na praia? Mistério. Nem sei porque estou falando disso e ainda por cima aliando fatos engraçados à morte, uma coisa tão trágica para a maioria. Talvez por ter visto um programa na TV, onde pessoas contam experiências pós-morte, dizendo que tudo era lindo, calmo, maravilhoso, melhor que aqui, até! Tá bom! Queria ver alguém dizer, após uma experiência pós-morte , que o outro lado é quente, tem muito fogo, cheira muito enxofre etc. Vai ver, esse outro lado seja aqui e o diabo esteja ao nosso lado. Acredito sim, que alguns fazem da vida um inferno. Talvez por isso esteja falando nesse assunto hoje, para mostrar que o importante não é a morte, o que virá, mas a vida, o presente, o que ela é em sua essência e principalmente, a importância de nosso comportamento nela, nossa valorização por ela e nossa atitudes em agradecimento por ela. E mais, se morrêssemos hoje? Você, caro leitor, se você morresse hoje, o que você deixaria? Bons exemplos, dinheiro, casa, segurança, uma obra artística, uma obra fraterna, filhos, irmãos, ações, carros ...? Tudo isso e muito mais? Ou nada disso? Agora, pense comigo, você deixaria SAUDADE? Seu nome seria lembrado em diversas rodas de conversas por diversas pessoas e em diversos ambientes? Seria lembrado por um dia, uma semana, um ano, por diversas gerações? Talvez o importante não seja nem ser lembrado por muitos, se os poucos que lembrarem sentirem uma saudade verdadeira, aquela que nos faz chorar de alegria por termos tido a oportunidade de conviver a vida com alguém tão especial.

 

Voltar

 

HomeCurriculumCinema e TVTeatroLiteraturaCursosContato

 



CNPJ: 15.051.800/0001-09